Está claro que é dever de cada criatura inteligente
adora a Deus. Os anjos O adoram (Ne 9.6). Os Seus santos O adoram.
No Evangelho eterno os homens são chamados a dar glória
a Deus e a adorá-Lo (Ap 14.7). E dentro em breve tudo
que há sobre a terra O adorará (Sf 2.11; Zc 14.16;
Sl 86.9)
Porém, enquanto os anjos honram a Deus segundo a verdade,
porque sabem quem Ele é, os homens também deve
procurar conhecê-lo e adorá-Lo, não apenas
exteriormente, mas sim com o coração, uma honra
que procede dos sentimentos de amor do homem para com Deus.
“Adorar o Pai”, o povo de Israel era filho de Deus,
o Seu primogênito (Ex 4.22); os israelitas eram filhos
do Senhor seu Deus (Dt 14.1); o Senhor era um Pai para Israel
e Hefraim era o seu primogênito ( Jr 31.9). Porém,
nunca haviam adorado a Deus como Pai, pois “Ninguém
conhece o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho
o quiser revelar” (Mt 11.27). Esse é um componente
essencial da adoração cristã: conhecer a
Deus e sua relação como Pai com o Seu povo, que
O adora como tal.
Mas esta revelação é um assunto pessoal
- “A quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27b)
Portanto, todo aquele que tem este conhecimento, o tem recebido
do Filho. O Filho unigênito, que está no seio do
Pai, esse nos fez conhecer o Pai. E, depois de ter cumprido a
Sua obra, introduziu os que são Seus na mesma relação
que Ele próprio goza com o Pai: “Subo para Meu Pai
e vosso Pai” (Jo 20.17).
“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros
adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade;
porque o Pai procura a tais que assim O adorem. Deus é Espírito,
e importa que os que O adoram, O adorem em espírito e
verdade.” (Jo 4.23,24) Aqui encontramos o caráter
da adoração cristã. Não é um
ritual, a formalidade de uma cerimônia religiosa. Esta
harmonia com o que Deus é e, portanto, pressupõe
que Deus foi completamente revelado.
Nenhum incrédulo pode adora desta maneira! Pois é somente
por meio do novo nascimento que temos recebido a nova vida, que
a Bíblia chama “espírito”. “O
que é nascido da carne é carne, e o que é nascido
do Espírito é espírito.” (Jo 3.6;
Rm 8.16) A adoração é espiritual, é segundo
o novo homem, e está em harmonia com o que Deus é.
O culto de Israel era terrestre,
natural. Era desempenhado num lugar definido geograficamente
- um magnífico templo.
Era um culto regulamentado até aos mínimos detalhes
e no qual o homem, vestido de trajes dispendiosos e acompanhados
de música maravilhosa, podia trazer o mais elevado e o
melhor que a terra tinha para dar. Mas nada nisso era espiritual.
Não havia a menor obrigação de um sacerdote,
cantor ou ofertante, ter de nascer de novo. E isso fora assim
instituído pelo próprio Deus, pois se tratava do
culto prestado por um povo terrestre a um Deus que ainda não
Se havia revelado a eles.
Todavia, na cruz Deus acabou com o homem natural. Nós,
os servos, que cremos no Senhor Jesus, já morremos com
Cristo (Rm 6.8). Espera-se que andemos segundo a nova vida que
o Espírito Santo operou em nós por meio do novo
nascimento. E o Espírito santo, que habita em nós, é a
força divina que nos habilita para o seu cumprimento.
Desta forma, a nossa adoração deve ser espiritual,
acompanhada de uma vida repleta de pureza e que produz os frutos
do Espírito.
Em perfeita harmonia com o que
já foi mencionado, não
nos é fornecida nenhuma forma ou cerimônia para
a nossa adoração. Isso é tanto mais notável
se lembramos que entre os israelitas tudo estava regulado até nos
mínimos pormenores. Nem sequer conhecemos as palavras
com as quais o Senhor deu graças na instituição
da Ceia, Não temos descrição de um apóstolo
partindo o pão. Não conhecemos um hino sequer que
a Igreja cantava nos dias dos apóstolos. Não temos
nenhum livro com salmos cristãos. Temos e devemos adorar
a Deus pura e simplesmente pelo Espírito (Fp 3.3).
Mas a adoração não deve ser somente “em
espírito”, mas também “em verdade”. “O
que é a verdade?”, perguntou Pilatos. Ele não
sabia que Aquele que tinha diante de si e que levava uma coroa
de espinhos era a Verdade. A verdade é o que Deus tem
revelado de Si mesmo. E foi o Filho quem O revelou.
Em certo sentido Israel também havia adora em verdade,
visto que o seu culto concordava com o que, naquele tempo, já tinha
sido revelado acerca de Deus. Mas agora Deus foi perfeitamente
revelado, pois “Deus foi manifestado em carne”, esteve
na terra e por graça infinita podemos conhecê-Lo
. “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo,
e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro” (
1 Jo 5.20).
Decerto há um crescimento no conhecimento da verdade.
E o Espírito de Deus atua em nós para nos conduzir
em toda a verdade. É óbvio que o desenvolvimento
será diferente de um servo para outro, porém a
diferença será infinitamente pequena em comparação
com a medida entre um homem natural (que não nasceu de
novo) e o mais jovem dos servos. Por meio no novo nascimento
recebemos uma vida que é espírito, e pela qual
nos tornamos competentes para conhecer a Deus. É a “natureza
divina” (2 Pe 1.4). Nesta nova vida opera o Espírito
Santo que habita em nós e nos capacita, o qual também é a
força divina que põe esta nova vida em contato
com o próprio Deus (Jo 4.14) As filhinhos em Cristo está dito: “ E
vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo.
Não vos escrevi porque não soubésseis a
verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da
verdade.” ( 1 Jo 2.20,21)
Portanto, podemos nos aproximar de Deus nosso Pai, Pelo poder
do Espírito Santo, que põe a nossa vida em contato
com Deus, nós O vemos e desfrutamos dEle. Seria possível
contemplar a Deus tal como Ele é, sem ficar maravilhados
e sem ficar desejosos de Lhe dizer isto? Todo o filho de Deus
que não ficou passivo ante as bênçãos
recebidas, mas que elevou os seus olhos ao próprio Doador,
sabe, por experiência, que isso é impossível.
A glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo é tão
grande que os nosso corações são demasiado
pequenos para dar perfeita conta do que dela vemos. Somos ainda
menos capazes de expressar essa glória apenas em palavras.
Mas adoramos em espírito e, portanto a nossa adoração
consiste nos sentimentos espirituais que sobem de nossos corações
e conjunto com palavras e atos voluntários diante de Deus.
Não há dúvidas de que cada servo deve adorar
pessoalmente. Como é possível contemplar a obra
do Senhor Jesus, o amor e a graça do Pai sem dar graças
e louvores? E isso é algo que todos nós, os filhos
de Deus, temos em comum.
Deus espera de Seu povo que se reúnam com a consciência
que o Senhor é o Único que tem autoridade no meio
deles. Só Ele pode determinar quem quer usar ali. E o
Senhor exerce esta autoridade por meio do Espírito Santo.
Não se trata de uma questão de uma ou dez ou vinte
pessoas tomarem parte no culto, mas de que o Espírito
Santo tenha verdadeiramente a Liberdade de usar que quer que
seja.
É
impossível prestarmos a verdadeira adoração,
quando o Espírito Santo é relegado a segundo plano
ou parcialmente acreditado; como é tão comum dentro
de tantas igrejas.